frase 995

O adulto é um adolescente adulterado.
Rorré

frase 996

A eloquência está no silêncio.
Rorré

frase 997

Perspectivas, teorias, conhecimentos e ideas evoluem. O homem não, desenvolve-se.
Rorré

frase 998

Se cabe aos filósofos fazer perguntas para entender o mundo, então a nós nos cabe questioná-los para os entender.
Rorré

frase 999

A sabedoria é a soma da inteligência com o bem.
Rorré

frase 1000

Entre a tentação e o pecado, ainda vai um bom bocado...
Rorré.

E como já cheira a Natal...


Feito para o Ensemble 2007, IASD Cascais, Lisboa e Santarém.

Sentido do Natal
Natal de alto e custoso porte,
Que me livrou de estar cativo
Ao comprar a minha morte.

Natal que ganhou outro motivo,
Quando na cruz venceu o mal
Aquele que ressurgiu e está vivo!

Ao vê-lO já na pátria celestial
Compreenderei a minha salvação,
Compreenderei o sentido do Natal.

Karau_Timur, Natal de 2007


Diz-se por aí que se queremos controlar o nosso pior inimigo, devemos controlar a nossa língua...


O teu pior inimigo

Enquanto o teu mundo gira,
Chegas a encher o teu umbigo
Com o amargo vinho da tua ira.

Precisas encontrar esse inimigo.
Rotulá-lo, talvez isso te agrade,
Mas não vês que ele vive contigo.

Cega, não frequentas a verdade.
Ele está em ti e não na rua!
É ele quem profere falsidade.

Mísera, carregas a culpa que é tua
E continuas encoberta nos enredos.
São eles que te deixam ficar nua!

Tonta, tropeças nos teus medos,
Pontapeias a tua consciência,
Para calar e abrigar esses segredos.

Mais valor adquire a prudência
Quando controlamos a língua,
O pior inimigo da nossa existência.


Karau_Timur, 2004.

Descansa em pazzzzzzzzzzzzzzz


Na noite solitária e fria
Alguém chora baixinho.
Perde energia e alegria.
No seu vazio aposento,
Chora sempre sozinho
E já quase sem alento.

Alguém lhe tirou vida,
Da sua frágil essência.
A triste alma escurece,
O coração aperta-lhe
E o corpo já padece.

É à noite que chora
E os seus cabelos
Branqueiam com o luar.
Perde energia, perde alegria
Quando o crepúsculo
Cobre a luz do dia.

Secaram as lágrimas,
Secou a alma e o corpo.
Já não chora à noite.
Agora, encontrou outra paz,
Outro descanso e vida
E à noite não mais jaz.

Karau_Timur, 2005.

Minha Fonte




Um percurso pela montanha até lá chegar.
Encontrar a fonte de paz e saciar-me.



Minha Fonte

Subindo o alto monte
Descobri a tua existência,
Encontrei a minha fonte.

Agora em ti minh’alma,
Respira e transpira calma.

Ali se congregam povos
Sedentos da tua palavra.
Corações velhos e novos.

Não a outros amos!
Só em ti confiamos!

Dá-me também de beber
Dessa samaritana fonte
A tua paz e o teu querer.

Minha essência vou ceder,
Ao autor de todo o ser.

Karau_Timur, 2007

Atlântico


Feito para abertura e fecho do programa cultural, de férias, "Oceano Atlântico"
numa rádio local de Boston, USA.



Atlântico

É com as ondas,
É com as vagas
Que sondas e tragas
O que me vai no coração.

É com a correnteza,
É com as brisas
Que com destreza alisas
O que escreve a minha mão.

É no sal,
É nas águas
Que o vendaval de mágoas
Mostra a tua imensa solidão.

É nos areais
É nos rochedos
Que o cais dos segredos
Ampara a tua undosa agitação.

Mas é na calmaria,
É no cântico
Que a maresia do Atlântico
Se torna nosso chão.

Karau_Timur, Boston, Junho de 2008

Luz da noite


Fala do lado nocturno, daqueles que se alimentam dos outros, ou que brilham com a luz dos outros.
Mas é à noite que o fazem, julgando ter maior protecção e, portanto, é à noite que carregam essa cruz.



Luz da noite
Luz da noite!
O que escondes,
Diz-me por onde trilhas?
Luz da noite
Vive só, mas refém
E não tem quem o acoite.

Luz da noite, lua.
Lua nossa,
Minha e tua.

Luz da noite!
Que revelas,
Diz-me para quem brilhas?
Luz da noite
É fraca e triste
E não existe quem o afoite.

Luz da noite, lua.
Lua nossa,
Minha e tua.

Luz da noite!
O que conténs,
De que te maravilhas?
Luz da noite
Não produz luz,
E carrega sua cruz à noite.

Luz da noite, lua.
Lua nossa,
Minha e tua.

Karau_Timur, Almeria, 02-04-2006

Mariposa




Uma história vivida no tempo, diria, de amor!



Mariposa

Eu tive um nebuloso sonho
Que até então não mais esqueci.
Caminhava alegre e tu pousada
no meu ombro quando te perdi.

Levava comigo uma carta fechada,
Uma flauta e pétalas de rosa.
Mas quando veio o vento
Levou tudo, levou a minha mariposa.

Já não te posso ler
O que me vai no coração
Porque veio o vento
E tirou-me a carta da mão.

Já não sigo o cântico dos pássaros
Nem acompanho a minha pauta,
Porque veio o vento
E saqueou-me dos punhos a flauta.

Já não posso cheirar as pétalas
Que tinha entre os dedos
Porque veio o vento
E levou-as com os meus segredos.

Quando veio aquele vento,
Ainda te encontravas em mim.
E quando, apressadamente, partiu,
Deixei de saber o teu fim.

Enquanto tiver este coração,
Que o amor não mais se apague.
Se estes tristes olhos jamais te verem,
Talvez o tempo a dor esmague.

Ouve! No silêncio, grito baixinho
Que ainda te quero.
Aos ventos, grito bem alto
Que te amo e ainda te espero.


Karau_Timur, Almeria, 28 Março, 2006

Deitado em teus braços


Uma história que, embora parecendo,
nunca chegou a ser estória.



Deitado em teus braços
Brilhavam tão reluzentes
Naquele dia os teus sois
Que, cegando os meus,
Não via o destino dos dois.

Já abrigado na tua sombra,
Via-me num verde monte
Por entre muitas árvores
Que me cobriam a fronte.

Fitei o teu fino tronco,
Bailando ao som do vento.
Volúvel, ele se adaptava
A todo o meu movimento.

Os teus ramos eram longos
E a tua folhagem densa.
Davas-me guarida e sombra
Que às outras mais intensa.

Traída outra vez a vontade,
E naqueles ramos envolvido
Fecharam-se de novo os sois
Para neles ficar adormecido.

Toda a tarde naquele verde.
Toda a tarde de ti cativo
Num madeiro de carne e osso,
Naquele tronco fino e vivo.

Acordei e quis libertar-me.
Mas preso nos teus ramos
Se me apertou o coração
E naquele abraço ali ficamos.

Era noite e ainda lá estava.
Sentia-me quase a sufocar.
A tua folhagem me cegava
E nada via mais que o luar.

Depois de me deixar vencer
E tirares a minha semente,
Parti errante no escuro,
Qual fraco e perdido ente.

O arrependimento de ali estar
Limpou a minha consciência.
Contudo, não foi suficiente
Para limpar a consequência.

Hoje, ao longe, vejo o verde.
Aquele verde e fresco manto
Onde estava a frondosa árvore
Que me causou grande espanto.

Brotou então a minha semente.
Corre agora a minha seiva nela.
Cresce no meio daquele verde,
Cresce verde, cresce junto dela.

Na linha do tempo me achei
Perdido nos teus longos laços.
Perdi-me para me encontrar
Assim deitado em teus braços.

Karau_Timur, 2007

Sexto Sentido



Apenas acontece com algumas mulheres, poucas, creio.
1, 2, 3, 4, 5 e... 6.



Sexto Sentido

Quando te vi pela primeira vez
Soou-me uma melodia branda.
Meus olhos fitaram tua beleza,
Mas não o coração e a perdição.

Ouvir tua voz despertou cegamente
Em mim a tua imagem de mulher.
Mais tarde os ruídos eram outros,
Gemidos de amor, gritos de dor.

O vento trazia vestido o teu perfume,
Para saciar a minha sede de te ter.
Tal como apareceu esse doce aroma,
Assim findou a dança da confiança.

Ao tocar a tua pele macia,
Uma fragrância a flor silvestre.
Em pouco tempo nos pressentimos
E vivemos algo de mágico e trágico.

Da tua boca brotavam favos
De mel que saboreei ao beijar-te.
E em meu sangue carregava já
Esse veneno, açúcar moreno.

Não foram olhos, ouvidos ou aroma,
Nem mãos ou lábios que me tiraram vida.
Foram apenas instrumentos de algo teu
Conhecido e definido como sexto sentido.

Karau_Timur, Almeria, 28-02-2006

O Deus Presente


Mesmo tendo aquelas nuvens como barreira, Ele não deixar de existir, brilhar.



O Deus Presente

O céu se fecha e escurece

Quando chega o temporal.
Finda-se o dia e anoitece

E a luz perde o seu sinal.

Mas o astro-mor
Nunca deixa de brilhar.
Mesmo havendo negror,
Sua luz vai perdurar.

Se a dúvida te assalta
E bradas aos céus:
Algo me falta,
Onde está Deus?

Assim como o sol radiante,
Ele está sempre aqui.
Sua presença é constante,
Ele só espera por ti.

Karau_Timur, 2007

Coração Alado


Outras criações têm o mesmo título, mas não o devo mudar outra vez (antes era Voar), pois é o meu coração que voa.
Sozinho ou acompanhado, ele voa...

Coração Alado

A vida é como os pássaros quando solto o coração.
Perde-se ao longe no horizonte de uma tarde.
Também quero me perder e voar para bem longe
Na esperança de te ter noutro lugar que não aqui.


Gostava também de te ver voar nesse dia,
Ver os teus pés no ar e coração na terra.
Gostava de ver teus lábios preenchidos,
Teu sorriso contido, mas de alegria farta.

Sentar a teu lado e tua presença consentida
Num prolongado jogo de forças, dissimulado.
Momentos de arrebatamento, de leveza.
Um abraço forte, um beijo conseguido!

Contudo, habitamos ainda na terra
E nesta vida não conseguimos voar juntos.
A teu lado subi apenas um monte, por onde
Passavam pássaros ao sabor do vento.

Mais uma vez solto o meu coração alado
E ele agora abre as asas e voa para longe.
Breves, mas intensos e eternos instantes.
Tão longe e ao mesmo tempo tão perto...

Karau_Timur, 23-04-2008

Enclausurado em Ti







Esperar, esperar, esperar...
Considerando o Amor (refiro-me ao humano) como um processo e não um estado, reconheço que pode ser trabalhado para melhor ou pior e ser também conservado.
Já sob um escopo que extravaza essa sua intrínseca dinámica como processo, registo, no entanto, que quando falamos de Amor como um todo, parece-me que ele não é sincrónico em relação à evolução dos acontecimentos ao longo tempo, não é dinámico nessa perspectiva.
Estamos na era em que tudo é imediato, do crédito imediato, do carro com chave na mão, da pronta resposta que exigimos que o PC dê em menos de 2 segundos, etc.
Felizmente que o Amor foge às tendências temporais, constituindo-se assim como um dos poucos instrumentos ao nosso alcance para "domesticar" a espera, neste mundo do imediato.
Esperar, esperar, esperar... até chegar esse dia!










Enclausurado em ti

A porta está fechada.
À janela espero ver-te passar,
À janela espero-te.

De madrugada entra o frio
Pela janela
E tu somente passas.

De dia entra o sol
Pela janela,
Mas tu não o fazes.

À tarde entra a brisa
Pela janela
E tu ficas de fora.

À noite entra a lua
Pela janela
E tu não apareces.

Entram pela janela.
Contudo, a porta
Será a tua entrada.

Vejo-te passar e espero
Enclausurado em ti,
Por ti e para ti.

Karau_Timur, 2004





Descer para Elevar


Uma simples oração.
Que cada um reconheça Cristo como exemplo máximo de humildade e serviço ao próximo.



DESCER PARA ELEVAR

(Se Cristo teve que descer a esta terra para me elevar,
então prostrado, que se eleve a Ti esta minha oração
e que eu desça ainda mais até onde Cristo andou.)


I
Cristo veio, desceu.
Entre nós ele viveu,
Longe do Pai.

Desceu as ruas
Dos necessitados
Abatidos, fracos
E abandonados
Que vivem na solidão.
Cristo veio ensinar
O caminho da Salvação:
Descer para elevar.

II
Tantas vezes vivo
Lá no alto, mas cativo,
Longe de Deus.

Tenho que descer,
Deixar o meu mundo.
Ser humilde e manso,
Ir até ao fundo
E estender a minha mão.
Cristo veio ensinar
O caminho da salvação:
Descer para elevar.

Karau_Timur, Março 2008.

Sic transit gloria mundi




O lado efémero da escrita e não só.


Sic transit gloria mundi

Vazio no papel,
Tinta e letras.
Jogo de palavras,
Verdades e tretas.

Homens de barro e ferro,
Simples, ilustres e eloquentes.
Gente de todos os cantos,
Versados, alucinados e doentes.

Todos procuram em ti
Escrever a cor da alma,
Pintar na tempestade
Um pedaço de calma.

Discorrer sobre filosofias,
Acreditar na existência.
Explicar o metafísico,
Aceitar a essência.

Alguns, se encontram
Nesse infindo mundo.
Outros, nele se perdem
E batem lá no fundo.

Aplausos, louvor e fama.
Palcos, honra e glória.
Coroas de flores, extinção,
Nomes esculpidos na história.

Letras vazias em papel vazio.
Não há eclipsados e mediáticos.
Só restam letras, e os corpos
Dormem sobre lençóis freáticos.

Karau_Timur, Almeria, 2006